sábado, 24 de março de 2012

prólogo


Era o dia. Os nervos já se tinham apoderado dela, e todas as pessoas em sua volta. Não deixava de ser desagradável partilhar a mesma sala que aquele bando de desconhecidos e pessoas de caras estranhas. Com os seus olhos verdes e os seus cabelos arruivados, olhava em torno do salão, procurando algum sítio para se sentar e tentar acalmar-se. Os cubos de gelo dentro do copo de sumo com gás, com uma rodela de limão, tilintavam nas paredes da superfície cristalina do cálice que ela pegava delicadamente com a mão direita, enquanto que com a mão esquerda batia os dedos sobre a cocha. Olhava em volta, passando os olhos sobre cada um dos convidados que se encontravam perto dela:  um homem alto de barba, com uns óculos na ponta do nariz, vestido a rigor com uma gravatinha vermelha escura; uma mulher com um ar snoob e desajeitado, apoiada nos seus sapatos de salto alto, vermelhos vivos, tinha o cabelo apanhado a um chapéu que apenas deixava ver a sua boca, pintada com um vermelho que, olhado de relance, parecia o nariz de um palhaço de circo; duas crianças, idênticas, mas rapaz e rapariga, da mesma estatura, a menina agarrava o vestido da mãe, que a olhava de maneira perturbada e angustiada, já o rapaz, sentado no banco, brincava com os seus carrinhos enquanto o pai, conversava lentamente e fazia gestos estranhos com as mãos, enquanto expressava as suas iniciativas. Gente desinteressante, talvez sim, talvez não, mas não os conhecendo, quem os julgaria? Ela? Continuava olhando para o ar, sem qualquer maneira de ser, sem sentido ou direcção própria, olhava para a janela, onde seguia a luz com o olhar quando senti-o alguém aproximar-se, deixou cair o queixo e mexia no seu cabelo. Alguém lhe tocou no ombro, ela levantou o olhar, um homem alto de cabelo moreno curto, perplexo olhava para ela e exclamou:

-Joanne Blink?

-Sim...?

-Peter Romero, não se lembra de mim?

-Se dissesse que me lembrava, mentiria. – mentia.

-Cambridge, ajudei-te quando…

-Peter –disse entusiasmada- não me relembrava de si. Já lá vão uns tempos, está tão… diferente.

E prenunciando essa palavra, fez um  olhar angustiante e desanimado, mas voltou a sorrir.

-Que se encontra aqui a fazer?

-É a minha irmã que se vai casar.

-Não posso acreditar que é irmã daNicole. Como não pensei nisso antes? Que parvo.

-Não temos… muitas parecenças, sabe? E eu sempre vivi na Inglaterra, ao que Nicole sempre detestou, ela prefere este ambiente calmo de Itália.

-Percebo. – pausou antes de pronunciar uma palavra- Nunca mais dei consigo desde que mudei de cidade. Tentei contactá-la imensas vezes mas, sem sucesso.

-Oh, pois… eu…

E sem responder, ele olhava-a com um ar extasiado. Ela hesitava em responder, e ignorava tentar olha-lo nos olhos. O passado tinha sido passado, e ela já o tinha esquecido, mas a presença dele incomodava-a, e sem mais nem menos, fugiu.

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